Gravidez e pet: será que os bichos sabem quando uma mulher está grávida?

Gravidez e pet: será que os bichos sabem quando uma mulher está grávida?

Esse relato, enviado pela leitora Lívia, representa o sentimento de muitas mães que eu conheço. Por isso decidi compartilhar com vocês.

“Acho que a minha cachorra já sabia, antes de mim, que eu estava grávida. Ela ficou um pouco enciumada e teve até problemas de incontinência urinária devido ao estresse. Afinal, há dois anos, desde que a adotamos, ela é o bebezinho da casa. Mas ela acabou se tornando minha maior companheira na gestação. Quando estou triste devido à montanha russa emocional, é ela quem me dá carinho, apoiando o focinho na minha barriga como se quisesse cuidar de mim e proteger o ‘irmão’. Se preciso repousar, é ela que está comigo, me fazendo companhia, dure o tempo que durar. Para retribuir, até o modelo de carrinho que compramos foi pensando em incluí-la, para que nossa cachorra possa desfrutar dos passeios matinais com o bebê e com a gente. Meu sonho é que meu filho cresça rodeado pelo amor sincero e despretensioso dos bichos. ”

( Foto e depoimento: Lívia gestante e tutora da Florinda- Foto Fabíola Medeiros)

A ciência ainda não conseguiu comprovar, mas há quem tenha certeza que os bichos de estimação pressentem, antes mesmo do que nós, quando a sua “mãe humana” está grávida. E há mesmo muitos indícios e recursos que os bichos podem usar para detectar a gestação. Por exemplo: a alteração dos hormônios femininos muda sensivelmente o odor do nosso corpo e os cães são experts em captar e traduzir cheiros. Os cachorros possuem cerca de 200 milhões de receptores para odores, enquanto os humanos possuem apenas 5 milhões. Por isso, eles são capazes de identificar cheiros que nós nem percebemos. Além disso, há quem acredite também que os pets conseguem ouvir o novo coraçãozinho batendo dentro da mulher. Instintivamente, eles saberiam que ali existe um filhote sendo gerado.

De qualquer forma, sabendo antes ou depois, o fato é que a rotina do animal de estimação vai mudar por causa da gravidez. Então, listamos algumas dicas para você ajudar seu amigão a entender e aceitar com tranquilidade esta nova fase da família.

 

Antes da chegada do bebê

No período de gravidez, como a mulher está mais sensível e carente, pode ficar muito perto do animal. Depois do parto, por falta de tempo, pode passar a dar menos atenção a ele. Essa mudança drástica de comportamento pode ser associada ao bebê, e o animal passa a considerá-lo uma ameaça para o seu bem-estar dentro da família.

O primeiro passo, então, é estabelecer para o animal uma nova rotina, que já antecipe tudo o que vai mudar com a chegada do bebê, como proibir o acesso a determinados cômodos da casa, mudanças nos horários de passeio e na quantidade de atenção que ele recebe.

Os futuros pais também podem iniciar treinos para que o cão já se acostume com a presença do novo membro da família. Pegue um boneco, vista-o com a roupa de um bebê e dê atenção a ele, sempre inserindo o cão e associando a presença do boneco com cheiro de bebê a momentos agradáveis. Você também pode deixar o carrinho do bebê aberto dentro de casa, para que o pet cheire e explore o equipamento.

No caso dos gatos, um cuidado adicional é procurar um berço que tenha uma tela que possa ser fechada na parte de cima da caminha do bebê. Isso dará mais segurança para ambos, já que os gatos andam por cima dos móveis e podem pular dentro do berço do bebê.

 

Depois da chegada do bebê

Depois do nascimento, pegue a primeira roupinha do bebê, deixe o bicho cheirar e a associe a algo agradável, como um carinho ou um petisco. Peça para a vovó ou para alguma amiga fazer isso enquanto vocês ainda estiverem na maternidade.

Depois, quando o bebê já estiver em casa, deixe o pet cheirar o pezinho dele. Sempre com a supervisão de um adulto.

À medida que o bebê for crescendo, é preciso mostrar a ele como interagir com o animal de forma gentil. Um gesto pesado da criança, como um tapa ou um puxão, pode ser interpretado como uma agressão e gerar uma reação por parte do animal.

 

Feito isso, nem considere a possibilidade de abandonar o seu pet por causa da chegada de um bebê. Em casos extremos, caso seja necessário, procure a ajuda profissional de um adestrador.

Escrito por Dra Luciana Herrero Ver todos os posts deste autor →

Esclarecimentos: 1- Esse blog não substitui as consultas de pediatria ou consultas médicas em geral. Tem como objetivo promover educação em saúde, favorecer o vínculo familiar e o estímulo a amamentação. 2- Dra. Luciana Herrero, apesar de possuir a formação em pediatria, não realiza atendimentos pediátricos. Trocou a clínica pela educação. Atua somente como educadora familiar, escritora e coordenadora da Aninhare (www.aninhare.com.br).