Afinal, chupeta faz bem ou faz mal?

Afinal, chupeta faz bem ou faz mal?

A maioria das mamães que oferecem chupeta aos bebês fazem isso  com a finalidade de acalmá-lo.
Muitos não imaginam bebês sem chupeta. Quase como se a chupeta fosse mais um item obrigatório do enxoval do bebê.

A chupeta ou bico, como é carinhosamente chamada, é um recurso amplamente utilizado na nossa sociedade, por vários motivos.  A falta de informação sob os malefícios, a falta de tempo das mães, a praticidade de uma solução mais imediata para o choro, as opiniões da própria família, enfim, muitas razões.

O fato é que muitas mães acabam empurrando a chupeta no bebê (algumas vezes até a contragosto do pequeno que a cospe sem parar) na tentativa de silenciar o choro, quase como se fosse um botão de Mute da TV. E em muitos casos deixam de oferecer o que o bebê realmente eles desejam e necessitam, ser atendidos em suas necessidades, receber o consolo dos braços amorosos e de mamar os seios maternos.

Cada mãe sabe o seu limite, e sabe onde o calo aperta. Nossa intenção não é julgar quem oferece ou deseja oferecer chupeta ao bebê. Mas, apenas alertar que esse ato não é tão inocente quanto aparenta.

Na verdade, o uso de chupeta apresenta uma série de efeitos colaterais que se arrastam da infância até a vida adulta e que deixam sequelas que poderiam ter sido evitadas.

Vou listar algumas delas que foram apontadas pela  especialista Andréia Stankiewicz (mãe de Luiza, três anos e Pedro, um ano) cirurgiã-dentista especialista em odontopediatria e ortopedia funcional dos maxilares, membro do Núcleo de Estudos em Ortopedia dos Maxilares e Respiração Bucal (NEOM-RB):
1. Interferência negativa sobre a amamentação: estudos mostram que crianças que desmamam precocemente usam chupeta com maior frequência do que aquelas que são amamentadas por um período maior.

2. A alteração do tônus muscular da musculatura bucal: a fala pode se apresentar com falhas, a mastigação, deglutição e a respiração da criança se manifestam com disfunções, o lábio superior fica encurtado, o lábio inferior fica flácido e virado para fora, ocorre a perda do selamento labial, etc.

3. Possíveis deformações esqueléticas faciais devido à inexistência de bicos comerciais que sejam comparáveis ao bico do peito: mais de 70% das crianças que possuem hábitos de sucção não-nutritiva apresentam algum tipo de maloclusão (mordidas abertas ou cruzadas).

4. A chupeta é menos prejudicial que o dedo? Ao contrário do que se costuma acreditar, os danos causados pela sucção prolongada de dedo ou de chupeta são bem semelhantes. A persistência da sucção de dedo não é frequente em crianças bem amamentadas 5,16. Mais de 80% das crianças que recebem aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida não apresentam hábitos

5. A ligação entre a chupeta e a síndrome do respirador bucal: o ar inspirado pela boca não sofre o processo de filtragem, aquecimento e umedecimento fisiológicos, deixando o sistema respiratório mais vulnerável a doenças em geral, entre outras coisas.

 

Deu para perceber que apesar de “bonitinha” a chupeta não é tão inofensiva, não é.

Vale a pena pensar bem antes de optar por essa alternativa para acalmar bebês!

Leia os posts desse Blog que falam sobre o choro do bebê e procure encontrar maneiras alternativas para lidar com esses desafiante momentos. Boa Sorte!

Escrito por Dra Luciana Herrero Ver todos os posts deste autor →

Esclarecimentos: 1- Esse blog não substitui as consultas de pediatria ou consultas médicas em geral. Tem como objetivo promover educação em saúde, favorecer o vínculo familiar e o estímulo a amamentação. 2- Dra. Luciana Herrero, apesar de possuir a formação em pediatria, não realiza atendimentos pediátricos. Trocou a clínica pela educação. Atua somente como educadora familiar, escritora e coordenadora da Aninhare (www.aninhare.com.br).