Amamentação, até quando?!

Amamentação, até quando?!

O Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde nos orientam da importância da Amamentação, e recomendam que os bebês mamem, exclusivamente, até o 6° mês de vida e, que a partir deste momento, recebam alimentação sólida, papinha, devendo seguir amamentando até dois anos ou mais.

Quanto à parte inicial da recomendação não há dúvidas. O leite materno é o alimento completo para os nenês.  Contudo, a segunda parte da recomendação, de até quando amamentar, sempre gera muitas angústias nas famílias.

As mulheres que heroicamente superaram todos os desafios e amamentam com sucesso seus bebês após o primeiro ou segundo ano de vida sofrem muitas pressões sociais para que interrompam a prática, inclusive por profissionais de saúde. Existem muitas opiniões contrárias, mitos e até lendas sobre a amamentação prolongada, mas será que esta ação é tão ruim assim?

Nada melhor do que trazer alguns dados científicos para podermos abrir nossa mente e analisar com carinho a situação. Pois, discutir um assunto baseado apenas em nossa opinião seria perpetuar um preconceito social, o que não é nada bom, não?

Protocolos Internacionais

A “American Academy of Pediatrics” recomenda que as crianças sejam amamentadas por ao menos todo o primeiro ano de vida, e por mais tempo se a mãe e o bebê quiserem. A Organização Mundial de Saúde reforça a importância de amamentar até os dois anos de vida ou mais.  A média de idade de desmame, em todo o mundo é de 4,2 anos.

Amamentar crianças maiores tem benefício nutricional
Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida da criança continua sendo uma importante fonte de nutrientes, especialmente de proteína, gorduras e vitaminas. No segundo ano de vida, 500ml de leite materno proporciona à criança: 95% do total de vitamina C necessário. 45% do total de vitamina A necessária, 38% do total de proteína necessária, 31% de caloria do total necessária.

quadro

Crianças maiores que ainda amamentam adoecem menos
Os fatores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebê cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam recebendo os benefícios da imunidade.

Claro que em boas condições de saúde, o desmame não é uma questão de vida ou morte, mas a amamentação por mais tempo pode significar menos idas ao pediatra. Crianças entre 16 e 30 meses, que ainda são amamentadas, adoecem menos e por menos tempo que as que não são.

Crianças amamentadas têm menos alergias
Está bem documentado que quanto mais tarde se introduz leite de vaca e outros alimentos alergênicos, menos provavelmente essas crianças vão apresentar reações alérgicas.

Crianças amamentadas são mais espertas
Crianças que foram amamentadas têm melhor performance na escola e maiores notas . Os autores desse estudo, que acompanhou crianças até os 18 anos descobriram que quanto mais tempo as crianças são amamentadas, maiores as notas que recebem nas avaliações.

Crianças amamentadas são mais ajustadas socialmente
Um estudo com bebês amamentados por mais de um ano mostrou uma ligação significante entre a duração do período de amamentação o ajustamento social em crianças de 6 a 8 anos de idade.  Nas palavras dos pesquisadores: “Existem tendências estatisticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação”. Mamar durante a infância ajuda bebês e crianças a fazer uma transição gradual. Amamentação é um amoroso jeito de atender as necessidades das crianças e bebês. Ajuda a superar as frustrações, quedas e machucados e o stress diário da infância.

Mães que amamentam por mais tempo também são beneficiadas

  • A amamentação prolongada pode diminuir a fertilidade e suprimir a ovulação em algumas mulheres
  • A amamentação reduz o risco de câncer de ovário
  • A amamentação reduz o risco de câncer de útero
  • A amamentação reduz o risco de câncer de câncer de endométrio
  • A amamentação protege contra osteoporose. Durante a amamentação a mulher experimenta uma diminuição na densidade óssea. A densidade óssea de uma mãe que está amamentando pode ser reduzida, em geral em 1 a 2%. No entanto, a mãe tem essa densidade de volta e pode até ter um aumento, quando o bebê é desmamado. Isso não depende de um suplemento adicional na alimentação da mãe.
  • A amamentação reduz o risco de alguns tipos de câncer de mama.
  • A amamentação tem demonstrado diminuir a necessidade de insulina da mãe diabética.
  • Mães que amamentam têm tendência a perder o peso extra adquirido na gravidez mais facilmente.

Não pretendo fechar esta discussão aqui, o que com certeza seria impossível, pois com certeza encontraremos pessoas que defendem os dois lados da moeda com muita convicção e propriedade. Nossa intenção como mãe, médica, e colunista é levantar novos fatos e questionar os nossos pré-conceitos.

Nada melhor para responder a nossa pergunta inicial: “Amamentação: até quando?” do que esta frase tão da organização Amiga do Peito (ONG formada por mães conscientes que lutam por seu direito de amamentar seus filhos):

“Se nós reconhecemos a amamentação como, também, uma  forma de relacionamento,  cabe a  cada  família determinar  a hora de encerrar esta etapa  para passar  para a  seguinte.” (Amigas do peito)

Acredito que para que nossa sociedade seja mais humana e democrática (de verdade) é fundamental que as diferenças sejam respeitadas. E que cada família encontre sua resposta, intima e pessoal para as angústias que permeiam seu dia-a-dia.

Desejo a todos uma boa reflexão e uma ótima semana!

Beijos Dra. Lu

 

Bibliografia:

– http://www.ibfan.org.br/projetos/pdf/MANUALDOMULTIPLICADOR.pdf

-Site: www.amigasdopeito.org.br

-Site:  www.aleitamento.com.br

Escrito por Dra Luciana Herrero Ver todos os posts deste autor →

Esclarecimentos: 1- Esse blog não substitui as consultas de pediatria ou consultas médicas em geral. Tem como objetivo promover educação em saúde, favorecer o vínculo familiar e o estímulo a amamentação. 2- Dra. Luciana Herrero, apesar de possuir a formação em pediatria, não realiza atendimentos pediátricos. Trocou a clínica pela educação. Atua somente como educadora familiar, escritora e coordenadora da Aninhare (www.aninhare.com.br).