O aprendizado começa no útero

O aprendizado começa no útero

 

Todos nós aprendemos sobre o mundo antes mesmo de fazer parte dele. Esta máxima já é reconhecida e comprovada por diversos experimentos científicos.

A especialista no assunto Annie Murphy Paul apresentou estudos que mostram que os recém-nascidos não apenas reconhecem a voz de sua mãe, como também o conteúdo que é falado. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos conseguiram detectar as preferências dos bebês usando bicos artificiais para medir a intensidade e a velocidade de sucção. Com fones de ouvido, os bebês reagiram mais positivamente ao ouvir o som da voz de sua própria mãe, em comparação com o som da voz de uma mulher estranha. Também reagiram melhor quando ouviram um trecho da historinha contada repetidamente durante sua gestação, do que ao escutarem um trecho de uma nova história, ambas contadas pela própria mãe.

Ou seja, o útero não é um lugar ermo, onde o bebê fica isolado de tudo e de todos. É um local de aprendizado. É a primeira grande escola do bebê. Annie M. Paul confirmou este fato ao apresentar um outro estudo que comprova que os bebês, desde o nascimento, choram com uma entonação que copia sua língua materna, ou seja, com o “sotaque” que ouviram da mamãe e do papai. Além disso, pela prática, todos sabemos que o bebê responde mais às pessoas que conversaram com ele desde o útero. Por isso, não deixe de convidar e estimular o papai e os irmãozinhos a criarem vínculos com o novo bebê. Conversar e interagir com a barriga é mais natural para nós, mas para os outros membros da família, também pode ser extremamente enriquecedor.

Durante a gestação, converse, cante, leia em voz alta, ouça suas músicas favoritas e dance. Uma coisa eu garanto: quanto maior for o envolvimento entre você e seu bebê, mais ele se sentirá seguro e se acalmará em seus braços depois do nascimento. Ele também vai preferir o seu colo, aos braços dos outros cuidadores. Atenderá mais a você do que ao pai. Não porque não o ame, mas porque conviveu intimamente e intrinsicamente com você durante nove meses. Ele reconhece seu cheiro e sua voz.

Outra grande pesquisadora, Patricia Kuhl, demonstrou que os bebês possuem uma habilidade fenomenal de aprendizado linguístico desde o nascimento. E que a melhor maneira de ensinar uma língua para uma criança pequena é através do contato pessoal, e não através de imagens de vídeos ou gravações em áudio. Ou seja, nada substitui a presença afetuosa dos maiores e melhores professores: os pais. Para a estudiosa, ao investigar o cérebro da criança, nós vamos descobrir verdades profundas sobre o que significa ser humano. E também poderemos ser capazes de ajudar a manter nossa mente aberta para aprender a vida inteira.

Curiosidade:

O foco de atenção do bebê muda a cada etapa de vida. Bebês de zero a 4 meses se focam mais nos olhos do cuidador. Bebês de 6 meses tem sua atenção dividida entre a boca e os olhos do cuidador. Bebês de 8 a 10 meses se focam mais na boca do cuidador. Bebês de mais de 12 meses tem sua atenção nos olhos do cuidador. Mas, em qualquer momento, a partir dos 6 meses de vida, quando uma mãe/cuidador fala uma língua estrangeira, diferente da língua pátria, imediatamente a atenção do bebê se volta para a boca de quem esta falando, na tentativa de realizar a leitura labial.  Fonte: Revista Crescer

Escrito por Dra Luciana Herrero Ver todos os posts deste autor →

Esclarecimentos: 1- Esse blog não substitui as consultas de pediatria ou consultas médicas em geral. Tem como objetivo promover educação em saúde, favorecer o vínculo familiar e o estímulo a amamentação. 2- Dra. Luciana Herrero, apesar de possuir a formação em pediatria, não realiza atendimentos pediátricos. Trocou a clínica pela educação. Atua somente como educadora familiar, escritora e coordenadora da Aninhare (www.aninhare.com.br).