Gestar é estar só ou acompanhada?

Gestar é estar só ou acompanhada?

 

O mundo moderno pode ser cruel para a mulher que gesta. Desde a pré-história até a entrada da mulher no mercado de trabalho, as fêmeas humanas possuíam um estilo de vida que permitia o compartilhamento de experiências e o apoio mútuo, especialmente na gestação.

Quando uma mulher engravidava, todo o núcleo familiar – mãe, tias, amigas – se reorganizava para apoiar a gestante, auxiliando-a nos mínimos detalhes, desde a organização do enxoval, até os cuidados com o pequeno bebê. A experiência de gestar era vivida de modo coletivo, nos bons e nos maus momentos.

Agora, a realidade é outra. As mulheres estão cada vez mais ocupadas e, na grande maioria das vezes, não há a possibilidade de compartilhar de fato a gestação com a família. Por falta de tempo ou de interesse, tias, primas, amigas e avós estão cada vez mais distantes da rotina da gestante e do bebê, tornando-se “visitas” em vez de apoiadoras e cumplices. E a mulher se vê cada vez mais só e aflita diante do desafio nunca vivenciado: a chegada do seu bebê.

Mudanças

Quanto mais cedo a gestante e seu companheiro compreenderem que as mudanças fazem parte de suas vidas a partir de agora, mais tranquila será a gestação e a vida após o parto.

E são diversas as mudanças que invadem a vida de uma mulher e de sua família com a chegada de um bebê: físicas, emocionais, familiares, sociais etc. Lutar contra isso é como tentar agarrar-se nas bordas de um rio, contra a correnteza, por medo de ser levada por ele. Se fizer isso, a mulher vai se isolar e se sentir sozinha. Por outro lado, quando se solta e se permite ser conduzida pela vida, tudo fica mais fácil.

Ser mãe é estar em um rio de corredeira desconhecido. Podemos nos prender nas bordas e ser arrastadas pela correnteza, ou podemos relaxar e desfrutar da movimentação das águas. Pode ter certeza: buscar afeto, apoio e preparação durante a gestação é o melhor caminho para um pós-parto mais feliz.

 

Escrito por Dra Luciana Herrero Ver todos os posts deste autor →

Esclarecimentos: 1- Esse blog não substitui as consultas de pediatria ou consultas médicas em geral. Tem como objetivo promover educação em saúde, favorecer o vínculo familiar e o estímulo a amamentação. 2- Dra. Luciana Herrero, apesar de possuir a formação em pediatria, não realiza atendimentos pediátricos. Trocou a clínica pela educação. Atua somente como educadora familiar, escritora e coordenadora da Aninhare (www.aninhare.com.br).