O Fantasma da Toxoplasmose

O Fantasma da Toxoplasmose

 

Também conhecida como “doença do gato”, a toxoplasmose é uma doença infecciosa causada pelo toxoplasma gondii. Esse parasita, nas pessoas saudáveis, não causa grandes consequências, apenas uma infecção de curta duração que parece uma gripe. Mas na pessoa com baixa imunidade ou no feto causa grandes problemas. O maior deles é quando a doença é contraída durante a gravidez, principalmente no início da gestação, quando o bebê está em pleno desenvolvimento. Nesse caso, pode levar a sérios problemas como hidrocefalia, surdez, problemas de visão e até deficiência mental.

“O ciclo do protozoário toxoplasma gondii tem que passar pelo gato, que é seu hospedeiro, mas o animal leva uma culpa maior do que merece. O que acontece na prática é que há mais chances de se contrair a doença tomando água contaminada, comendo carne vermelha crua, salada ou usando utensílios contaminados do que com gatos”, explica Celso Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo. Além disso, segundo o especialista, o número de casos de toxoplasmose caiu expressivamente nos últimos 30 anos, o que diminui o risco de contágio.

A principal forma de contrair a doença não é o contato com as fezes dos gatos, especialmente os domésticos (que na grande maioria das vezes não tem a doença, já que ficam em ambiente fechado e comem só ração). E sim, nas verduras e frutas contaminadas e mal lavadas ou pela ingestão de carnes cruas (carpaccio ou kibe cru, por exemplo).

O recomendado é que todas as mulheres colham na primeira consulta de pré-natal o exame de sorologia dessa doença, pois muitas já possuem imunidade contra a doença. Aquelas que já tiveram a doença e se curaram, sem nem perceber, agora não correm risco de pegar, nem de contaminar o feto. A toxoplasmose antiga e curada traz tranquilidade total porque quer dizer que a mulher está protegida contra a doença e não vai adquiri-la outra vez.

Nas gestantes suscetíveis, que ainda não possuem a imunidade, o exame sorológico deve ser repetido durante toda a gestação (de preferência a cada trimestre). E os cuidados preventivos devem ser acentuados, tais como:

–        Não comer carnes cruas ou mal passadas

–        Tomar apenas água filtrada ou fervida (cuidado com as pedras de gelo, inclusive)

–        Só comer verduras e frutas bem lavadas (usar hipoclorito de sódio)

–        Não comer verduras e frutas na rua, de restaurantes desconhecidos

–        Não usar a mesma tábua ou utensílios (facas) para cortar carne crua e vegetais

–        Lavar bem as mãos após manipular carnes cruas

–        Usar sempre luva apropriada para cuidar do jardim

–        Manter a higiene dentro de casa

–        Se tiver gato, levar o bichano no veterinário para saber se ele está saudável (não possui a toxoplasmose)

–        Se tiver gato ou cachorro, evitar mexer com as fezes dos animais e lavar sempre a caixa de areia (peça para outra pessoa ajuda-la nesse trabalho)

 

Higienização adequada de verduras e frutas

Não adianta lavar rapidinho. Para garantir uma boa higienização, prevenindo doenças como a toxoplasmose, o correto é seguir estas três etapas:

1-lavar em água corrente com detergente

2- deixar de molho por 15 minutos em solução com cloro (pode ser usada água sanitária bem diluída ou um produto específico encontrado em quitandas, varejões ou no supermercado junto às frutas)

3-enxaguar em água corrente

 

Não abandone seu bichano só porque um bebê está a caminho

Muitas pessoas sugerem às gestantes que possuem gatos que evitem contato próximo, ou pior, que se desfaçam de seu animal de estimação. A verdade é que, na grande maioria dos casos, isso não é necessário. Com os cuidados citados acima, a gestante pode manter uma gestação saudável sem riscos.  Até porque, como comentamos, a presença de toxoplasmose em gatos domesticados que se alimentam de ração é bastante rara.

As pesquisas científicas têm comprovado cada vez mais os efeitos positivos do convívio entre humanos e animais de estimação, tanto para a mulher (redução de ansiedade e melhor sociabilização), como também para o bebê desde o útero (melhora do sistema imune, redução de infecções).

Não podemos nos esquecer que os pilares para o sucesso dessa relação pet e bebê são: saúde do animal, comportamento adequado e supervisão.

Escrito por Dra Luciana Herrero Ver todos os posts deste autor →

Esclarecimentos: 1- Esse blog não substitui as consultas de pediatria ou consultas médicas em geral. Tem como objetivo promover educação em saúde, favorecer o vínculo familiar e o estímulo a amamentação. 2- Dra. Luciana Herrero, apesar de possuir a formação em pediatria, não realiza atendimentos pediátricos. Trocou a clínica pela educação. Atua somente como educadora familiar, escritora e coordenadora da Aninhare (www.aninhare.com.br).