O valor do leite humano para bebês prematuros, mito ou verdade?

O valor do leite humano para bebês prematuros, mito ou verdade?

Olá, queridas leitoras!

O tema desta semana é sobre uma situação difícil que acontece na vida de muitas famílias, a chegada do bebê antes da hora. E como analisar se o leite humano é, de fato, necessário para eles, já que, atualmente, existe tanta tecnologia em fórmulas e nos cuidados destes pequerruchos? Antes, vamos fazer um parêntese para entender um pouco melhor o que é um bebê prematuro, ok?!

 

 Prematuridade: o que é isto?

A prematuridade acontece quando um bebê nasce antes de 37 semanas de vida. Ou seja, antes de estar plenamente formado, antes de completar o desenvolvimento de muitos órgãos do corpo, e de receber os nutrientes e anticorpos pela placenta – o que os deixa muito vulneráveis e frágeis. Existem vários tipos de prematuridade. Aqui, para facilitar, eu chamarei de: prematuridade grave, intermediária e tardia.  A prematuridade que eu chamo de grave é quando o bebê nasce muito antes do tempo (quase do tamanho da nossa mão) e ainda muito dependente de tecnologia e dos “anjos da UTI” (médicos e enfermeiras neonatologistas). Eu chamo de prematuridade intermediária, quando o bebê nasce antes do tempo, mas já está mais estável e com melhor resposta ao tratamento. E chamo de prematuridade leve, quando o bebê nasce poucas semanas antes da data prevista, já com um peso mais adequado e mais fortinho. Claro que não podemos generalizar, pois cada caso é um caso. Existem bebês que nasceram muito antes do tempo e evoluíram rapidamente e muito bem, como existem bebês que nasceram poucas semanas antes do tempo e tiveram uma evolução bem turbulenta.

E agora voltando a nossa questão central: será mito ou verdade que o leite humano é realmente muito melhor que as fórmulas lácteas especializadas? O que você acha?

Se você respondeu que sim, que o leite humano é superior a todas as fórmulas, mesmo as mais modernas, você acertou! Pesquisas comprovam que apesar de toda a evolução da indústria de substitutos do leite materno, e da tecnologia desenvolvida no amparo ao prematuro, o leite humano é, incomparavelmente, melhor para um bebê, especialmente, um prematuro, do que as fórmulas lácteas.

Alguns anos atrás, eu tive a felicidade participar de um congresso na Holanda, e de conhecer de perto uma grande mestra no assunto, a neonatologista americana, Dra. Paula Meier, e seu trabalho com aleitamento e prematuridade no Rush Hospital, em Chicago. Assisti a suas aulas, e com lágrimas nos olhos, entendi o valor do leite humano para estes bebês lindos e apressadinhos que chegam ao planeta antes da hora. Vou tentar compartilhar aqui, um pouquinho do que aprendi, pois confesso que é impossível colocar em palavras o que vi naquela apresentação.

Benefícios do leite humano para prematuro

  • O leite materno para um bebê não é apenas uma maneira de alimentá-lo com o que há de melhor em termos nutricionais. É um remédio valioso, que protege contra doenças, salva vidas. No prematuro, o valor do leite humano é ainda maior, pois estes bebês são, por natureza, mais vulneráveis, e como estão em um ambiente hospitalar de alto risco (UTI), estão mais expostos a infecções e doenças.

 

  •  O leite materno melhora a defesa do organismo do bebê, pois possui em sua composição elementos que ajudam a combater os germes, diminuindo seu crescimento ou até matando-o.

 

  • Prematuros que receberam leite humano apresentaram melhores notas nos testes de inteligência e desenvolvimento cognitivo.

 

  • O leite materno tem a capacidade de melhorar o sistema imunológico do bebê, também ajuda que o organismo do bebê desenvolva mecanismos de defesa contra microrganismos.

 

  • Com o leite humano, o prematuro tem menor chance de ter complicações de saúde: menor possibilidade de ter diversas infecções e doenças, entre elas a enterocolite necrotizante (uma doença muito grave que acomete o intestino). Tem menor risco de problemas oculares e de voltar a ser internado no hospital após a alta médica.

 

Qual é o melhor leite: o da própria mãe ou do banco de leite?

A primeira opção para alimentar o prematuro é sempre o leite de sua própria mãe. Pois, ele tem propriedades específicas e diferenciadas que se encaixam como uma luva nas necessidades do prematuro. Contudo, não é tão fácil conseguir este leite. Muitas mulheres têm grande dificuldade em coletar suas gotas preciosas, seja pelo estresse da situação, pela falta de apoio e incentivo da equipe de saúde e da família, ou pela falta de estrutura hospitalar. A segunda melhor opção é oferecer o leite de banco de leite humano, que apesar de não ser tão específico, ainda é imensamente superior do que as fórmulas industrializadas.

 

Método Mãe Canguru

Estudos apontam que mesmo os bebês prematuros, inclusive, os mais pequeninos, frequentemente apresentam uma melhora significativa e mais rápida quando são colocados em contato “pele a pele” (quase como um canguru) do que se estivessem apenas na incubadora. As evidências mostram que bebês prematuros estão mais estáveis metabolicamente quando ficam em contato com sua mãe. Este contato próximo do bebê com a mãe, ou com o pai ou com o cuidador, ajuda ao bebê a estabilizar não apenas sua respiração, mas também a manter os níveis de glicose no sangue e a temperatura do corpo. E também favorece ao aumento da produção de leite materno nas mães.

 

E após a alta hospitalar?

O ideal é que os prematuros recebam o leite materno exclusivamente após a alta hospitalar. Contudo, se isto não for possível, por algum motivo, nossa sugestão é que os outros alimentos sejam oferecidos em sondas ou em copinhos, nunca em mamadeira. Pois, as “chucas” e mamadeiras dificultam ainda mais a amamentação, favorecendo a confusão de bicos e o desmame.  Se você não sabe como usar a sonda ou o copinho, busque um banco de leite e  faça  nosso curso de amamentação online ( “O Diário de Bordo da Amamentação”).

Espero que tenham gostado.

Com carinho.

Dra. Lu

Escrito por Dra Luciana Herrero Ver todos os posts deste autor →

Esclarecimentos: 1- Esse blog não substitui as consultas de pediatria ou consultas médicas em geral. Tem como objetivo promover educação em saúde, favorecer o vínculo familiar e o estímulo a amamentação. 2- Dra. Luciana Herrero, apesar de possuir a formação em pediatria, não realiza atendimentos pediátricos. Trocou a clínica pela educação. Atua somente como educadora familiar, escritora e coordenadora da Aninhare (www.aninhare.com.br).