Os 7 principais erros na introdução da alimentação complementar do bebê

Os 7 principais erros na introdução da alimentação complementar do bebê

Acertar na hora da introdução dos alimentos para os bebês não é nada fácil. Nesse post vamos citar os erros mais comuns da família nessa hora. São eles:

 

  1. Quando o bebê não está mamando no seio, entrar com a comida ou o suquinho no terceiro mês de vida

A introdução precoce de sucos ou papinhas favorece a obesidade e outros problemas de saúde. O ideal é entrar com a alimentação complementar apenas no sexto mês de vida. Em casos excepcionais, os pediatras podem indicar para o quarto mês, mas nunca deve ser antes dos 120 dias de vida. Mesmo para as crianças que não têm a felicidade de mamar no seio, os benefícios de entrar mais tardiamente com a comida de sal são bem claros e comprovados pela literatura científica.

 

2. Demorar para entrar com a papinha de sal, especialmente a carne

Infelizmente, alguns pediatras ainda seguem o modelo antigo para a alimentação complementar e entram primeiro com sucos e frutas, esperando um a dois meses para indicar a papa de sal e as carnes. Cuidado, porque isso é um erro! Desde 2010, o Protocolo de Introdução Alimentar do Ministério da Saúde orienta que as crianças iniciem a papa salgada junto a papa de fruta no sexto mês de vida. As carnes (de frango ou de boi) devem ser oferecidas desde o início devido à queda na absorção do ferro, que acontece nessa idade e que pode provocar anemia no bebê. A partir dos 180 dias de vida, as crianças devem fazer várias refeições por dia. O ideal é que os pequenos que mamam no peito recebam alimentos 3 vezes ao dia (duas papas de fruta e uma de sal), além de continuarem mamando, se possível, até os dois anos ou mais. Já os bebês que não mamam devem comer pelo menos 5 vezes ao dia (três papas de frutas e duas de sal).

 

 

3. Usar peneira ou liquidificador na hora de preparar os alimentos

A criança saudável precisa aprender a comer a comida com certa consistência para estimular o desenvolvimento da musculatura da boca e da face. Por isso, o melhor é apenas amassar os alimentos cozidos com o garfo, até que eles fiquem com uma consistência de purê. Mas atenção: não deve ser muito mole, como uma sopa, nem muito duro como o nosso purê. Uma dica para saber qual é o ponto certo é colocar a papa em uma colher de sopa e virar de cabeça para baixo. Se escorrer imediatamente está muito mole, se ficar grudada está muito dura. O certo é que ela escorregue aos poucos.

 

4. Querer acostumar o bebê com a mamadeira

Essa é a angustia de muitas mães que amamentam e que vão retornar ao trabalho. Elas acreditam que precisam ir acostumando o bebê para ele poder pegar a mamadeira enquanto elas estiverem fora de casa. Nada disso. O bebê pode – e deve – sair do peito e ir direto para o copo. Não é necessário, nem benéfico, apresentar o bebê à mamadeira. Ele pode perfeitamente ser alimentado com canecas de plástico, copos e até colheres.

 

5. Usar gratificações ou castigos para conseguir que a criança se alimente

A alimentação deveria ser um momento de prazer, de encontro e de convívio gostoso entre os familiares. E não um momento de confronto e discussões. Implorar para que a criança coma, ou mesmo obriga-la, não é um bom caminho. Se isso estiver acontecendo pode ser um sinal de que a rotina alimentar da casa não anda bem. Todos nós comemos quando estamos com fome. Mas se estivermos beliscando bobagens o dia todo, com certeza a comida de sal não parecerá mais apetitosa. Acostumar a criança desde bebê a ter hábitos saudáveis à mesa é construir o caminho para uma alimentação saudável para o resto da vida do seu filho.

 

6. Dar comida para a criança fora da mesa, na frente da TV ou enquanto ela brinca 

Hábitos são criados desde a primeira infância. Nem sempre o que parece ser uma solução mágica para os pais será bom a longo prazo para a criança. Por mais que exija tempo, paciência e treino, dar a papinha à mesa sempre é a melhor opção. Essa atitude ensina para a criança que a hora da comida é sagrada. Lembrando que a criança também aprende com os exemplos que tem em casa. Portanto, não adianta nada insistir para que ela coma na mesa, se todos os outros membros da família comem na sala de TV. Criar uma rotina de união e harmonia na hora da refeição é criar um hábito alimentar mais feliz e que poderá ser transmitido de geração a geração.

 

 7.  Oferecer papinhas só com legumes e verduras

Um prato de papinha saudável é aquele que segue duas regrinhas básicas. A primeira é ter, pelo menos, cinco cores diferentes no prato. Uma papinha nota dez é aquela em que a criança consegue ver a cor de cada alimento, e não uma gororoba de uma cor só (normalmente marrom, laranja ou avermelhada) porque todos os alimentos estão misturados. O ideal é amassar os alimentos separadamente e deixar o prato bem colorido e vistoso. A segunda regra é que a papinha tenha todos os grupos alimentares. Coloque no prato da criança ao menos um carboidrato (mandioca, batata, cará, inhame), uma proteína (carne vermelha, frango, ovo) e duas verduras ou legumes (cenoura, chuchu, abobrinha, abóbora).

 

 

 

Fonte: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/10_passos.pdf

 

Escrito por Dra Luciana Herrero Ver todos os posts deste autor →

Esclarecimentos: 1- Esse blog não substitui as consultas de pediatria ou consultas médicas em geral. Tem como objetivo promover educação em saúde, favorecer o vínculo familiar e o estímulo a amamentação. 2- Dra. Luciana Herrero, apesar de possuir a formação em pediatria, não realiza atendimentos pediátricos. Trocou a clínica pela educação. Atua somente como educadora familiar, escritora e coordenadora da Aninhare (www.aninhare.com.br).