pai: guia de sobrevivência

pai: guia de sobrevivência

Quem acompanha o nosso blog já sabe como encaramos essa história de tentar ser um “superpai”, mas sempre vale a pena reforçar. A página Mamãe do Ano publicou uma matéria especial com as dicas da Dra. Lu. Veja o texto.

 

1 – O nascimento de um papai

A verdade é que isso se dá aos poucos e pode acontecer em diferentes momentos. “No caso das gestações planejadas, a fase pré-gestação já pode ser o início disso. É nesse momento que o casal deve estar em perfeita sintonia”, afirma a especialista Dra. Luciana Herrero, que ressalta: “Desejar e sonhar com o bebê faz despertar os sentimentos de pai e mãe. É saudável e válido, mas cuidado com a ansiedade. Demais, ela pode atrapalhar”.

Dicas:

– Cuide da alimentação e evite o consumo de álcool, que afeta diretamente a fertilidade.

– Invista no relacionamento a dois.

– Curta o desejo e os sonhos com o bebê que está por vir, trata-se da chamada “gestação emocional”.

– Controle a ansiedade e ajude seu companheiro a fazer o mesmo!

 

2 – Prepare-se e… ENGRAVIDE

O resultado do teste foi positivo. A alegria é imensa, mas não se pode negar, a sensação de pai, diferente da mulher que já sente sintomas físicos, é bastante abstrata. Portanto, é preciso se envolver. Nesse momento é importante ser companheiro e participativo. “Acompanhar a futura mamãe em consultas e exames é fundamental. Passa segurança para a mãe e envolve o futuro papai. Aquela ‘sensação abstrata’ toma forma na imagem do ultrassom e no som dos batimentos do bebê. Tudo se torna mais próximo e real. Costumo dizer que essa presença é ‘engravidadora’ ”, diz a Dra. Lu.

Dicas:

– Papai, esforce-se para estar presente nas consultas, exames e especialmente nas ultrassonografias.

– Informe-se! Leia livros, faça cursos de gestante com sua parceira, pergunte e esclareça suas dúvidas com o médico. Busque saber, por exemplo, o que vocês verão do bebê na próxima ultra! Mas não esqueça de procurar fontes fidedignas, ok?

– Reserve alguns minutinhos para conversar com o seu filho, mesmo que a barriga ainda não esteja tão grande. Acredite, o vínculo desde o útero é fundamental!

– Quando a barriga estiver maior, aposte no toque!  Faça carinho, sinta! Brincar de adivinhar a posição que o bebê está também é uma ótima pedida!

– CANTE! A voz do pai e da mãe estimulam partes diferentes do cérebro do bebê. “E ouvir a voz do papai ainda na barriga faz bem para o bebê. Quando ele estiver aqui fora, a música que o papai cantava durante a gestação vai acalmar o pequeno e remetê-lo à sensação de tranquilidade e aconchego do útero”.

– Mamães, atenção! A missão de engravidar o papai também é sua! Não encare como uma obrigação. Tente conciliar os horários dos exames, por exemplo! Não adianta marcar tudo e exigir que o pai o acompanhe. Planeje junto! Traga-o para perto!

– Evite cobranças excessivas, mamãe. Lembre-se que é um período de descoberta para o seu parceiro também!

 

3 – Permita-se

Entender a mulher, as alterações hormonais e as mudanças que ela está passando é fundamental. Por que com os homens seria diferente?

Papai, sua vida está mudando também. Seus sentimentos também estão confusos e, acredite, seus hormônios estão a mil! “Os homens também têm alterações hormonais. Os ‘grávidos’ costumam ter diminuição da Testosterona e aumento do Estradiol, isso o torna mais sensível, mais voltado para a família. A Natureza é sábia. ”, explica a Dra. Lu.

Esse é o momento de entender os próprios sentimentos e aceitar as novas sensações, boas ou ruins. Não se culpe! A mesma paciência e dedicação que você precisa destinar à mamãe, também deve ser destinada a você!

Dicas:

– Busque entender e identificar as mudanças em você. Não é incomum que homens sintam sintomas de gravidez, como enjoos. Trata-se de um processo hormonal. Não o renegue, não se culpe…

– Se tiver vontade de chorar, chore! Se tiver vontade de sorrir, gargalhe! Você está se transformando em papai. Respeite as novas sensações. Encare os desafios.

– Aposte nas conversas com a parceira. Divida sentimentos, aflições e expectativas. Com carinho e companheirismo, vocês vão se entender e identificar os (muitos) pontos em comum!

– Mamãe, pegue leve! A mulher “vira mãe” imediatamente. O papai passa por um processo emocional. É o famoso: “demora um pouco para cair a ficha”! Tenha um pouco de paciência também, ele merece!

 

4 – Chegou a hora

É normal que a proximidade do parto aumente a ansiedade do casal. É importante que o parceiro se mantenha próximo, física e emocionalmente!

No momento do parto a presença do papai é essencial! “Quando o papai está presente, o ambiente torna-se mais humanizado. A mulher fica mais tranquila e segura. Além disso, reduz a chance de intervenções desnecessárias”, lembra a especialista.

Dicas:

– Tente manter (e transmitir) tranquilidade.

– Palavras de carinho para a mamãe e gestos de afeto são muito bem-vindos!

– Respire fundo e preste mais atenção na companheira do que no parto em si.

– Tire fotos, mas não abandone a parceira só porque o bebê chegou.

– Auxilie e favoreça o primeiro contato entre mamãe e bebê. Participe desse momento. Acredite, é inesquecível!

 

5 – Cuide, ajude, participe

No final da gestação, algumas tarefas simples e cotidianas podem se tornar complicadas. Colocar os sapatos é um bom exemplo. Nos próximos meses, sua companheira precisa de você! “É ainda na gestação que o papai começa a cuidar do filho, mesmo que indiretamente”.

O apoio segue com a mesma importância nos primeiros meses. “O sucesso da amamentação está diretamente relacionado ao incentivo emocional e prático do pai, que deve transmitir segurança, conforto e tranquilidade para a mulher”.

Dicas:

– Pais não têm seios, mas têm mãos! Não podem amamentar, mas podem pegar no colo, dar banho, fazer massagem, fazer dormir… A ligação com a mãe é forte e natural. Com o pai, deve ser construída. Esse vínculo inicial será levado por toda a vida.

– As mamadas noturnas costumam ser bastante solitárias. Quando perceber que sua parceira está com dificuldade, ofereça ajuda! Pegue o bebê e estregue a ela, dê água e um pouco de atenção. Cuide da mamãe para que ela possa sempre dar o melhor ao bebê.

– Com o bebê um pouco maior, assuma a responsabilidade de fazê-lo arrotar após a mamada sempre que possível. É uma ótima forma de participar do processo de alimentação.

– Mamães, deixem os papais participarem!!! Nada de superproteção ou críticas. E daí se ele colocou a fralda errada? Deixe-o errar! Ninguém nasceu sabendo, nem você!

 

6 – 50% de responsabilidade

Esqueça a frase, “Mas ele é muito dependente da mãe”. Pais e mães têm igual responsabilidade. Mais que isso, têm funções diferentes e complementares. “De uma maneira geral, a mãe protege. O pai estimula. Costumo dizer que a mãe é a Terra, enquanto o pai é o Sol e a Lua. Tudo precisa estar em harmonia”, explica a Dra. Lu.

A formação do cérebro do bebê se dá nos primeiros anos de vida. Nessa fase, o desenvolvimento emocional é fundamental. São esses laços que serão levados por toda a vida. E o vínculo pai e filho, aquele que se iniciou no útero, ganha força nesse período.

Dicas:

– Assuma responsabilidades no cotidiano do seu filho. Pode ser um momento de brincadeira a sós diariamente, um passeio, uma refeição ou o banho.

– Aposte na sua família. Promova momentos únicos entre vocês.

– Converse com a sua parceira, sempre! O diálogo continua essencial, e assim será sempre!

Escrito por Dra Luciana Herrero Ver todos os posts deste autor →

Esclarecimentos: 1- Esse blog não substitui as consultas de pediatria ou consultas médicas em geral. Tem como objetivo promover educação em saúde, favorecer o vínculo familiar e o estímulo a amamentação. 2- Dra. Luciana Herrero, apesar de possuir a formação em pediatria, não realiza atendimentos pediátricos. Trocou a clínica pela educação. Atua somente como educadora familiar, escritora e coordenadora da Aninhare (www.aninhare.com.br).